John Henry e a Máquina Infernal

“Pelo que eu soube, meses depois, John Henry mandara chamar por sua esposa e, imediatamente, foi ao chão, largando a pesada ferramenta.

“Me foi dito que sua companheira repousou a cabeça do gigante em seu colo e ele perguntou se havia conseguido derrotar a Perfuratriz a Vapor, ao que ela assentiu.

“John Henry vencera a máquina infernal tendo escavado dois metros a mais que ela quando esta explodiu em pedaços.”

O silêncio na sala era sepulcral, diante da narrativa cheia de honestidade e tão rica em detalhes, mas nos olhos dos homens presentes ainda estava estampada a dúvida sobre a veracidade de toda aquela história.

Milady Aveport estendeu um dos braços para a mala que trouxera consigo, abriu-a, levantou-se e elevou um enorme martelo lascado e castigado pelo tempo e violentas colisões passadas, repousando-o sobre a mesa de Downes.

– Ok… – começou Reynolds com cautela – mas isso…

– Não é prova de nada! – sibilou alto Aveport, bufando pesada e longamente, obviamente exasperada em seu jeito incomum de mover-se.

A jovem afastou-se da mesa, indo para o meio da sala, enquanto Lady Katherine tomava a palavra e, qual corvos, os demais se debruçavam sobre o martelo superdimensionado.

– Cavalheiros… A Lecoq, Holmes & Temple está aqui representando os interesses da Scotland Yard e o desejo da Coroa PanEuropéia em manter os demais detalhes acerca da Lenda de John Henry longe dos periódicos da imprensa…

Sem a atenção dos historiadores e do jornalista, a jovem que dizia ter testemunhado eventos passados três séculos antes colocava um dos pés sobre a bela mesa no centro do escritório e levava uma das mãos atrás do próprio corpete.

– Se continuarem investigando – seguia Katherine Vidocq – vão acabar se deparando com elementos que vão colocar em perigo importantes fatos tecnológicos e científicos que consideramos questões de Segurança Real.

Um silvo sobressaltou a todos e vapor encheu toda a sala para logo se dissipar e deixá-los divisar a jovem, o corpete às mãos e evidentes rebites recobrindo as belas formas que, como seus olhos não os deixavam desacreditar, eram de puro aço.

– Nos foi outorgada a missão de convencê-los a ater-se na história de John Henry e de não seguir as pistas que seus investigadores jornalísticos provavelmente encontraram, sobre ser aquela locomotiva o primeiro autômato do mundo a ganhar consciência.

Aveport, então, levantara recatadamente a bela saia longa, no belo corte Eduardiano, que jamais saíra de moda, exibindo uma de suas pernas, onde silenciosos pistões, engrenagens e polias moviam-se freneticamente ao lado de uma placa ornada onde lia-se “Avelin & Porter Steam Rollers”.

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